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Museu reúne raridades encontradas no lixo de São Paulo

A partir de objetos encontrados no lixo surgiu a idéia do Museu do Lixo. Localizado no Departamento de Limpeza Urbana de São Paulo – Limpurb, o espaço reúne peças que foram dispensadas pelos moradores da cidade. A variedade e a raridade de algumas delas provocam a reflexão de quantos objetos são diariamente aterrados levando consigo sua história e da cultura do país. No Museu, eles encontraram um outro destino.
 
Entre panelas de ferro, máquinas de escrever, máquinas de costura, câmeras fotográficas quadros, carrancas, telefones e outros objetos, há dois livros que dizem respeito ao próprio lixo. Um deles, de 1963, é um livro original de fotos coloridas do forno incinerador Vergueiro, que foi desativado em 2002. O incinerador Vergueiro, na época, era chamado de forno 3, já que havia também o incinerador Pinheiros, desativado em 1989, e o incinerador Ponte Pequena, que funcionou até 1997.
  
O outro livro é ainda mais antigo. Também encontrado no lixo de São Paulo, o livro é sobre o incinerador Araçá, de 1913. Em vez de fotos, ele traz registros sobre o incinerador, que foi desativado em 1948 e tinha capacidade para 40 toneladas por dia.
 
Além dos objetos, o Museu do Lixo abriga fotos antigas da coleta de resíduos de São Paulo, desde os tempos em que ela era feita com tração animal, em meados do Século 20. Há fotos e maquetes do aterro sanitário Bandeirantes, de São Paulo, inclusive de sua implantação em 1979.
 
Revistas, como a Limpeza Pública, e livros sobre resíduos sólidos e limpeza pública também fazem parte do acervo. Há diversos volumes da legislação da cidade desde o Século 19, onde é possível encontrar as primeiras leis sobre a limpeza urbana de São Paulo. Entre as relíquias, há o livro “Lixo e Limpeza Pública”, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, escrito em 1969, que apresenta as soluções para os resíduos sob o olhar da época. O livro aborda desde aspectos biológicos do lixo até o destino final, inclusive considerando os resíduos especiais, como o “lixo de hospitais”.  Os capítulos sobre incineração e limpeza pública são de autoria do primeiro presidente da ABLP e um dos fundadores da Associação, o Engenheiro Sanitarista Francisco Xavier Ribeiro da Luz.
 
O Museu recebe principalmente estudantes da área ambiental. Segundo o coordenador de Educação do Departamento de Limpeza Urbana, Manoel dos Santos Filho, o projeto é que o Museu aumente seu espaço e acervo, já que  materiais peculiares continuam sendo encontrados no lixo da cidade. “Acreditamos que o Museu pode ser uma das formas de conscientizar as pessoas sobre a questão do lixo. O Museu leva a pessoa a refletir”, diz. Ele destaca que no Brasil, ao contrário de países da Europa, não temos hábitos de trocar, reutilizar e ainda recicla-se pouco. “Aqui, ainda, tudo vai para o lixo”.
 
A Divisão de Educação, que coordena o Museu, também realiza palestras sobre a gestão de resíduos em São Paulo para adultos em empresas, condomínios, comunidades, e apresentações de teatro para crianças em escolas. De forma lúdica, a peça “As aventuras do Super-Reciclomem” desperta nas crianças a importância da reciclagem e preservação dos recursos naturais.   Interessados em visitar o Museu ou agendar a palestra ou teatro, devem entrar em contato pelo telefone (11) 3328-2822.

Por Adriana Delorenzo, da ABLP.

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